Passei,
por anos, na obscuridade, escondendo-me, sem saber o que fazer, sem poder ser
realmente o que nasci. Meus pais queriam que eu me casasse, (de forma
tradicional) que tivesse filhos, eu não sabia se me aceitariam. E meu medo de
assumir deixava-me doente e depressiva.
Encontrava
com meu verdadeiro Eu na escrita, no
desabafo desordenado, no devaneio de uma poesia; e escondia tudo num cofre
dentro do meu quarto. Com o tempo, passei para as pastas de computador, mais precisamente
em 1943, o Nazismo já estava quase no fim, e eu já tinha 21 anos, deixava-os
protegidos por senhas, as quais, trocava, de forma periódica, com medo de
alguém me descobrir. Antes dessa data, carregava as chaves do cofre o tempo
todo comigo, e lá ainda estão guardados meus cadernos e diários, com anotações.
Neles, depositava toda uma vida de angústias, medos, e preocupações. Mas, ao
ver aquele corpo, encontrava-me no amor. Foi, na verdade, com quinze anos, que
vivi por ela, minha primeira grande paixão, mas nesses anos anteriores,
totalmente, platônica.
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