Aula sete:

Maxixe – dançarinos de laranja
Outro casal ainda não conhecido se aproxima do centro
do salão. Olhares curiosos de todos os lados. Essa era, para
alguns, a primeira aula e, para outros, a segunda desse ritmo.
Alguns bailarinos tinham entrado no curso com uma semana
de antecedência. E a aula demonstrada no início desse dia fora
a de maxixe. Os professores e um casal de monitores estavam
de laranja. Os demais alunos se apresentavam com o uniforme
da escola e tentavam fazer os passos como os casais do
centro.
– Usaremos os passos de soltinho misturado ao forró.
No início, não precisam seguir o ritmo mais acelerado, podem
tentar aprender os passos mais devagar. – Falava a voz
do alto-falante que substituíra os professores. Esses também
mudaram, pois o casal que orientava não era o mesmo. Talvez
um mais especializado em músicas e sons latinos. Esse até
tocava a percussão para os alunos dançarem. Fez assim numa
primeira música e os deixou livres para girarem pelo salão,
mesmo que sozinhos.
E, na próxima música, o casal laranja se fez ser copiado
pelos demais.
Essa dança é tão livre e tão misturada que une passos de
soltinhos com bolero. Os dançarinos tinham liberdade de se
abraçarem e se soltarem. Mesmo um pouco distante, o contato
não se faz perdido. Guiam-se com os olhares, em movimentos
de rotação e translação, como que se norteando pelo
parceiro. E assim, o grupo de aquarela, sem revelar as suas cores, nem suas identidades, tentava se descobrir por traz dos rostos ocultos que os acompanhavam. Quando a dança se esgotou, voltaram aos quartos para estudos de aulas teóricas, se perguntando o que seria feito após, no correr do curso, e na dúvida se seriam destaque em outras músicas, se permaneceriam com os mesmos e querendo conhecer os componentes dessa aquarela da dança.

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