Um trecho do meu romance "Às Escuras"
Após fechar a matéria do dia, fui visitar um armazém,
chamado Império Árabe, que mais parecia uma cidade. Lá havia roupas típicas,
narguilés – um objeto para fumar, nele coloca-se água, essência e traga-se por
uma cordinha, tinha também muita comida típica. O império era todo ornamentado,
os vendedores eram todos uniformizados e, em cada tenda, um músico com um
instrumento diferente. Foi no Império Árabe que conheci um brasileiro, o engenheiro Queiroz,
formado em Minas Gerais. Apresentei-me como o jornalista e escritor Tarik
Murad. Falamos, a princípio, sobre as dificuldades de estarmos num país tão
diferente do nosso, mas gostando da comida, e, principalmente, da beleza do
local.
Conversamos horas e horas em meio às comidas
árabes: quibe, tabule, húmus sempre acompanhados pelo pão sírio e nos tornamos
amigos. Acabei por falar-lhe da paixão instantânea provocada pela beleza da
mulher misteriosa. Decidimos, mais à noite, irmos num restaurante que tinha
como atração especial a Dança do Ventre.
A casa não estava cheia e Queiroz percebeu
minha perplexidade. Acabara de avistar aquela mulher por quem havia me
apaixonado. Consegui me aproximar dela e descobri seu nome: Soraia Rezek.
Fiquei
encantado até o espetáculo acabar, o bar estava vazio, Queiroz desapareceu. Fui
à porta de saída das bailarinas e a abordei. Consegui convencê-la a vir comigo.
Encontros nas noites parecem que já estão traçados pelo destino. Situações que parecem já arquitetadas com a hora, o local e a razão, mas onde os protagonistas são surpreendidos para agirem de forma imediata, para tomarem as decisões mais cabíveis e que se chegue à um mero desfecho plausível, numa nova descoberta, no início de uma história à dois ou no encontro de um possível verdadeiro amor....
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