Remédio ou veneno: apenas uma dose Era uma cabana escura e fria, obscura. Tão obscura quanto o passado do velho que a habitava. Vivia lá sozinho com suas lembranças, seus remorsos, e arrependimentos. Amargo que era, não tinha amigos, não os cultivara desde a adolescência. Teve um único amor, uma única mulher, um único filho, e três mortes em sua passada pela vida. Aos noventa anos, as lembranças se misturavam em sua mente, a realidade e a ficção, muitas vezes, não conheciam seus limites. Só sabe que tinha sido um médico de sucesso, até a parada de um bebê em suas mãos. E assim, sua carreira começou a decair. Era seu terceiro assassinado, em ordem cronológica, o primeiro, sem intenção, diferente dos outros. Nunca tivera a pretensão de ser um matador profissional, muito pelo contrário: a medicina, o juramento pela vida. Mas, a loucura, aos poucos, roubava-lhe a sanidade. Praticara o oposto do que foi ensinado por uma vida. E se aperfeiçoava na arte da vingança. Um bebê em suas mã...
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Autor homenageado Mario Sérgio Cortela É um filósofo, escritor e professor paranaense, graduado em Filosofia. Foi mesmbro do Conselho da CAPES. Autor dos livros: – Felicidades Foi-se Embora? com Leonardo Boff e Frei Betto – 2016 – A Era da Curadoria – o Que Importa É Saber o Que Importa!, com Gilberto Dimenstein – 2015 – Ética e Vergonha na Cara!, com Clóvis de Barros Filho – 2014 – Pensar Bem Nos Faz Bem! (Filosofia, Religião, Ciência, Educação) (1a. ed 2013). 2a. ed. Petrópolis e São Paulo: Vozes e Ferraz & Cortella, 2014. – Não se desespere! Provocações filosóficas. – 2013 – A Escola e o Conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. – Nos Labirintos da Moral, com Yves de La Taille. – Não Espere Pelo Epitáfio: Provocações Filosóficas. – Não Nascemos Prontos! – Viver em Paz para Morrer em Paz: Paixão, Sentido e Felicidade. – Sobre a Esperança: Diálogo com Frei Betto. – O que é a Pergunta?, Com Silmara Casadei. – Política: Para Não Ser Idiota, com Renato Janine Ribe...
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Dica de Literatura Basta de Cidadania Obscena Marcelo Tas: Antes de iniciar este pingue-pongue filosófico, devo dizer da honra e da alegria em conversar com você, Cortela. Creio que o o tema da nossa conversa é o avesso da cidadania. Para usar uma expressão da molecada digital é cidadania #SQN. Cortela: Gosto muito de um conceito, que considero bastante adequado ao tema deste livro, introduzido por E.D., filósofo argentino que hoje vive no México. Mário Sergio Cortela e Marcelo Tas
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Um trecho do meu romance "Às Escuras" Após fechar a matéria do dia, fui visitar um armazém, chamado Império Árabe, que mais parecia uma cidade. Lá havia roupas típicas, narguilés – um objeto para fumar, nele coloca-se água, essência e traga-se por uma cordinha, tinha também muita comida típica. O império era todo ornamentado, os vendedores eram todos uniformizados e, em cada tenda, um músico com um instrumento diferente. Foi no Império Árabe que conheci um brasileiro, o engenheiro Queiroz, formado em Minas Gerais. Apresentei-me como o jornalista e escritor Tarik Murad. Falamos, a princípio, sobre as dificuldades de estarmos num país tão diferente do nosso, mas gostando da comida, e, principalmente, da beleza do local. Conversamos horas e horas em meio às comidas árabes: quibe, tabule, húmus sempre acompanhados pelo pão sírio e nos tornamos amigos. Acabei por falar-lhe da paixão instantânea provocada pela beleza da m...
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Dica de Leitura A Cartola ... a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas... Sofia estava certa de que o autor das cartas anônimas iria se manifestar outra vez . Ela decidiu que a princípio não diria nada a ninguém sobre essas cartas. (GAARDEN J. O Mundo de Sofia, Cia das Letras, 1995, p. 22). Ás de Espadas (...) No verão de 1944, L. M. foi mandado de volta para a Alemanha, a fim de defender o Terceiro Reich alemão no front oriental. Quando o trem que o levava partiu de Arendal, ele desapareceu para sempre da vida da minha avó. Nunca mais ela ouviu falar dele, nem mesmo quando, muitos anos depois de terminada a gurra, resolveu procurá-lo. ( GAARDEN, J. O Dia do Curinga, Cia das Letras, 2006, p.21).
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Uma parte do meu romance Yin Os prisioneiros que se rebelavam eram enforcados, todos eram transportados num trem sem ventilação e os vagões sempre levavam muito mais do que o suportável, eram piores que animais. Ao chegarem aos destinos, eram redistribuídos. Tinha um quartel só para mulheres e crianças, outro para as grávidas ou com recém-nascidos, outro para homens. Eram assassinados com injeção no coração, ou morriam de fome e de sede, ou de doenças. Os que não morriam de forma natural, ou por remédios injetados, ou os corpos, já sem vida, eram cremados em fogueiras ao lado das câmaras de gás.